quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Oito pontos


O nosso corpo é nossa casa, e existem pessoas que nos cuidam...os anjos ?
A gula é um dos pecados que mais cometo, o olho sempre é maior que a barriga. 
Toda família tem seus rituais, e os alimentícios então nem se fala, tem aquelas receitas especiais
que são guardadas para serem comidas nos almoços de domingo. Na minha família não é diferente, 
e os doces e frutas são obrigatórios após a comida do meio dia. Uma fruta especial que nunca pode
faltar nas casas dos meus familiares é a melancia, esta é a nossa sobremesa predileta. 

Tem o sorvete americano também (aquele de três camadas diferentes), que minha mãezoca faz que sempre é destruído por minha ávida boca rs. 
Pois bem, anooooos atrás, quando eu tinha uns 6 anos tinha essa sobremesa no congelador lá de casa, e não tinha uma altura satisfatória (ainda não tenho) e nem maturidade para colocar esse doce para mim . Minhã mãe tinha ido tomar banho e disse que quando acabasse iria colocar para mim, e quem disse que aguentei esperar ? Ao ouvir as primeiras gotas do chuveiro, realizei a ponta do pé de uma bailarina em formação (na época) e inciei a missão de captura da sobremesa predileta. Triste fim, calculei errado o movimento de deslocamento e em uma queda livre o pote de vidro marinex cai em meu pezinho. Um grito e minha mãe sai correndo do banheiro: "Que merda que você fez ? Não disse para me esperar ? Sua ansiedade tá vendo...". Dor e dor eu sentia, nem tinha notado o corte imenso no meu pé, fui reparar quando o rastro da sangue ficava pela casa. " Mãe, me machuquei". Ai começa a aventura para achar algum vizinho e nos acompanhar até uma emergência mais próxima da minha casa, morava distante dos serviços de saúde na época, minha mãe ficava tensa com a quantidade de sangue que saia do meu pé. Chegando na emergência 5 pontos fizeram parte da minha história de cicatrizes, e eu acudindo a minha mãe (ela quase desmaiou enquanto levava os pontos),  Alguns dias de cuidados no pé e tenho mais uma nova marca das aventuras da vida.
E os três pontos que faltam ficam para a minha habilidade gastronômica em cortar coisas, na verdade estava atenta aos noticiários enquanto comia. Aprendam: poucos dominam a arte das múltiplas atividades simultaneamente. Estava eu cortando a suculenta melancia com meus 20 e poucos anos de experiência e ao invés de direcionar a faca para a linda e brilhante casca verde o meu dedo foi o alvo, e uma faca amada de serrote deixou sua marca no meu dedo indicador esquerdo (rs). Quem estava em casa ?  " Mãe!!! Me leva para o hospital." Mais um mimo das cicatrizes, e uns dias sem nadar. Esses são alguns pontos que a vida dá.


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Retiro de carnaval

       Em tempos de farra, fantasias e música é estranho na terra do Axé, e  nessa época do ano o silêncio. Arrumei umas roupas, organizei os livros, separei os artigos e embarquei na missão de mais um trabalho acadêmico. Suado que só ele até sair as primeiras palavras digitadas. Organizar as ideias e pensar na relevância científica possível que irei gerar no mundo de publicações...será ?
        Não foi só o retiro acadêmico, foi um retirar de mim mesma, me despir de ideias, conciliar pensamentos, fazer novas crenças, excluir julgamentos, compreender o percurso natural da vida. Nada melhor do que fazer isso próxima de pessoas que nos amam de verdade, os pais de nossos pais, com mimos e cuidados.
        É bom encontrar-se com aquela que há tempos estava perdida, tem sentimentos súbitos que nos levantam e algumas vezes esquecemos de nossa essência em virtude de transformações, que os outros nos causam. Me achei, andava por uma esquina chamada risco. E quem nunca andou por lá ? Tinha pego o ônibus da coragem, saltei na Estação do Desconstrua Seus Valores e Transforme-se. Logo quando desci, pedi em silêncio a proteção e ganhei um mapa da intuição...suma daí! Achei o fio da volta, a rua do Encontro Interno, tinha o espelho amigo e a voz baixinha : " Se queres flores, plante as flores, e doe as flores". Depois da rua, cheguei ao bairro da Verdade, tão seguro que só, quis ficar. Transformada preciso dizer, e grata por milésimos ter experimentado esse nível de vínculo com o lugar inseguro.
      Metáforas para refletir a loucura da roda gigante da vida, e aprender com os caminhos arriscados passados. Ainda bem que existe o amigo tempo cantado em orações para acalmar esse órgão vivo e pulsante dentro de nós. Como diria a incrível Frida, " onde não houveres amor não te demoras". Fui!





A diva das divas no ritmo de vitórias carnavalescas cariocas entoando o tempo. 
     

       

sábado, 2 de janeiro de 2016

Primeira vez em 2015

Aparecimento do primeiro fio de cabelo branco
Me espantei com a beleza das Cataratas do Iguaçu
A primeira maratona aquática no mar
O primeiro banho no Rio São Francisco
Visitei templos/centros budistas
Atravessei um país dirigindo
Participei de 3 Conferências (saúde e direitos dos idosos)
Trabalhar em 3 locais diferentes
Li dois livros a cada mês
Maior número de idas a formaturas e casamentos
Despertar para um amor intenso

Esse ato de preceder os outros tempos, na ordem e lugar
Isso de ser primeiro, nem tão urgente, começar,
causar os efeitos e ir formando essa quem eu sou. Em 2015
tive algumas primeiras vezes, e agora em 2016 quero tantas mais.

Valeu!





segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Sinto a primavera em você


Flores a chegar
amor para renovar
cores a embelezar

Abelhas alimentadas
passarinhos a cantarolar
a nossa cantiga de anunciação

Sem pressa te esperarei
renovaremos essas estações
Semeadores de sementes
aguardaremos mais flores
para embelezar o nosso jardim
em cor, em tempos, e luz.


Vale do Capão, Chapada Diamantina



domingo, 12 de julho de 2015

Interiores

No ano passado passei uns meses trabalhando em cidades do interior da Bahia. Foram dias de intensa produção literária que acabei guardando nos cadernos de anotações, e sempre que algo me chamava atenção o lápis era puxado para o registro dos pensamentos criativos. Pela minha ausência nesse espaço escondido quero deixar aqui registrado algumas memórias vividas.


Tabocas do Brejo Velho, 13 de março de 2014.

Estou sentada no banco da praça Descansei um pouco dessa semana, fui visitar a Lan House da cidade e averiguar o mundo virtual, notícias tristes e não tão relevantes para quem está vivendo a vida simples.
A calmaria de um interior é um ótimo remédio para uma mente fervilhante. A pressa não é tão necessária, existe tempo para conversar sobre a morte da bezerra, e saber o porque de "Flor" ter se separado de "Bentinho". Quantas sacas de milho foram colhidas é uma informação mais útil do que o engarrafamento insuportável da metrópole. No interior quase todos gostam de finalizar a caminhada de um animal e ofertá-lo em função de uma data especial, pelo menos em prol de comemorações o reino animal se esvazia.
" O fruto bom dá no tempo/No pé pra gente tirar/Quem colhe fora do tempo/Não sabe o que o tempo dá.(Conzaga)" Saber esperar, grande ensinamento para os ansiosos e motivo de acomodação para os acomodados.
É fim de tarde e a cachaça do alambique de seu João já fez efeito, o comércio vai  se despedindo do dia e as cadeiras são postas em frente das portas. Começam os comentários sobre quem apareceu na cidade, o que o prefeito prometeu e ainda não fez, da laje de Dona Raimunda, e a feira do domingo que está chegando...e por ai vai. Até Zé Morfeu começar a sinalizar a sua presença. Dias passam em sucessão de acontecimentos, acompanhados do grande verde envolto diante daquela cidade e tantas outras que passei.





domingo, 22 de março de 2015

O amor no outono

Fazia outono dentro de mim
as pétalas começavam a cair
hora de me despedir

Os acordes do violão soavam como uma triste canção
música mutável, efêmera e ligeira

Não quis ficar no teu corpo como tatuagem
o nosso amor foi desses de passagem

E passou...

domingo, 15 de março de 2015

Compartilhando um sonho

Na manhã do dia 07 de novembro de 2004 acordava com a minha ansiedade crônica para ir a um campeonato de natação na escola, não era o primeiro dos que já havia participado. Treinava com uma frequência maior tendo em vista o aprimoramento de minhas capacidades físicas, tinha doze anos e era época da despedida da primavera. Após o fim do campeonato e trazendo mais uma vitória com recordação, um professor veio conversar comigo e fez o convite para me filiar a Federação Baiana de Natação, e claro que aceitei (pulinhos de alegria)!
Nesse mesmo dia almocei na casa de um tio, e no retorno para casa um acidente de carro muda alguns rumos desse final de ano. Um mês internada no hospital e umas vértebras para unir. Dias de sofrimento, que me ensinaram um bocado.
Depois da recuperação, a primeira pergunta que fiz ao médico:
- Poderei voltar quando para natação?
-Logo a natação Fernanda, não tem um esporte mais leve não?
Depois de quase um ano passado retornei as piscinas em um ritmo bem mais lento, e entres saídas e entradas na escola de natação o tempo foi passando... Entrei na faculdade, estágios, trabalho e a vida foi sempre colocando outras prioridades. Mas o sonho de competir mais estava ali adormecido esperando a dona dele reanimá-lo!
Após dez anos tenho riscado alguns sonhos da minha lista, aproveitando a juventude para cumpri-los (a trilha do Vale do Pati foi um deles). Esse ano depois das minhas férias terminarem corri para uma escola de natação próxima a minha casa, sem pensar muito admito,  me rematriculei. Agora estou na equipe, nadando todos os dias antes de ir para o trabalho. Com a rotina mais regreda. de horários, alimentação e tudo mais. Após um mês de nado diário, ontem em uma linda manhã nadei pelos mares da cidade de Salvador, dando um verdadeiro "sacolejo" no danado do sonho.
Eu me encontrava ali, na companhia de Yemanjá me questionando nos primeiros 1000m o porque dessa maluquice minha.
Foi engraçado acordar, e senti a mesma sensação de quando criança. Era caloura no mar, na chegada só uma certeza...quero mais!O esporte transforma.
Grata à aqueles que estão compartilhando comigo este momento.